Oportunidade, gratidão e retribuição. Este homem, que morou nas ruas e se formou advogado, foi salvo por um estranho, que lhe deu o primeiro emprego. 15 anos depois, ele tirou da cadeia a pessoa que lhe deu a primeira oportunidade em Fortaleza (CE).
Essa é a história do Sérgio Chaves, que viveu dias difíceis em situação de rua, e do seu Nonato (Raimundo Nascimento) que tinha um lava-jato e ofereceu trabalho ao homem que não conhecia ninguém na cidade.
Sérgio agarrou a oportunidade. Depois de dormir ao relento, voltou a estudar e em 2022 se formou em direito. Já Nonato, foi preso depois de um acidente de trânsito, em 2023 e o amigo foi lá para ajudar. “O Nonato me tirou das ruas e, 15 anos depois, eu tive a chance de tirá-lo da cadeia”, contou Sérgio Chaves.
As vidas se cruzaram novamente
Nonato precisou de apoio jurídico, depois do acidente em Juazeiro do Norte e a ajuda que veio justamente de quem ele um dia acolheu, o Sérgio, que jamais esqueceu o incentivo que recebeu, inclusive para estudar.
“Cheguei em Fortaleza sem conhecer ninguém, morando nas ruas. Conheci o Nonato, ele tinha um lava-jato nas redondezas do bairro de Fátima e me ofereceu um trabalho. Só que ele não me ofereceu só um trabalho, me deu muito mais: me deu uma família”, disse ao Jornal Jangadeiro.
E 15 anos depois de ter sido ajudado, Sérgio teve a chance de retribuir.
Advogado que ajuda pessoas carentes
Grato pela virada na vida, Sérgio se tornou um advogado que não enxerga na advocacia apenas um meio de renda ou status. Ele afirma que a profissão que conquistou é, acima de tudo, uma missão. E diz que o Direito tem nome e propósito: justiça.
Atualmente, Sérgio é voluntário do projeto Amigos da Rua e ajuda a levar comida e donativos a pessoas que passam pelo que ele passou nas ruas, vivendo à margem da sociedade.
Ajuda da esposa
Ele também construiu uma família em Fortaleza, onde vive com a esposa Juliana, o filho Nicolas, de 10 anos, e a recém-nascida Ana Beatriz, de um mês.
Sérgio, conhecido nas redes como Serginho Chaves, lembra que o retorno aos estudos, em 2017, e a conclusão do curso de Direito, cinco anos depois, foram graças ao apoio da companheira.
E ele está aí, firme e forte, para espalhar a própria história de gratidão, vitória e solidariedade.