Um gesto simples virou um abraço em forma de joia. Em Porto Alegre, um servidor público gaúcho decidiu ir além da ajuda básica e levou brilho para a vida de mulheres vítimas de violência doméstica. A ação chamou atenção pela sensibilidade e pelo impacto imediato na autoestima delas.
Muitas dessas mulheres chegam aos serviços de apoio apenas com a roupa do corpo, após fugir de situações de agressão. Além do medo e da dor, fica a sensação de perda de identidade e valor. Foi pensando nisso que a iniciativa ganhou forma.
A entrega das joias virou um momento de emoção compartilhada nas redes sociais do Kaká D’ávila. “Para cada mulher que eu entreguei a relação era a mesma, na hora abriam um sorriso, choravam, parecia que não estavam acreditando”, disse em entrevista exclusiva ao Só Notícia Boa.
A ideia por trás das joias
A proposta surgiu da convivência direta com mulheres vítimas de violência doméstica. Kaká conta que já ajudava de várias formas, levando até a delegacia, incentivando denúncias e doando roupas para quem precisava recomeçar do zero.
Com o tempo, percebeu que a dor não era só material. A autoestima dessas mulheres estava abalada. A joia entrou como símbolo de carinho, força e recomeço, algo que pudesse lembrar que cada uma tem valor e merece respeito.
Segundo ele, pode parecer pouco, mas o efeito foi imediato. “Toda mulher gosta de ganhar uma joia, pode parecer pouco, mas a alegria delas foi emocionante”, contou.
Emoção em cada entrega
O padrão se repetia em todas as ações. Ao receber a joia, muitas mulheres abriam um sorriso largo, outras choravam, algumas demoravam a acreditar no gesto.
Para o idealizador da ação, foi impossível não se emocionar junto. As lágrimas, dessa vez, eram de alegria. Um sentimento de conexão e humanidade tomou conta de cada momento.
A ação mostrou que acolhimento também passa por detalhes. Um presente simples pode representar respeito, cuidado e a chance de se sentir vista novamente.
Quem é o gaúcho por trás da ação
O responsável pela iniciativa é Kaká D’Ávila, servidor público de 40 anos, conhecido em Porto Alegre por projetos sociais. Ele criou o “Varal do Desempregado”, que ajuda pessoas em busca de trabalho no centro da cidade.
No varal, Kaká coloca vagas de emprego impressas e também roupas para entrevistas. A ideia é simples e direta: quem precisa, pega. Quem consegue emprego, muitas vezes volta para agradecer.
Em apenas uma semana de ação, já surgiram histórias de pessoas que conquistaram uma vaga graças ao projeto, o que fortaleceu ainda mais a vontade de ajudar.
Mulher vítima de violência que conseguiu recomeçar
Entre os relatos que mais marcaram Kaká está o de uma mulher que teve todas as roupas queimadas pelo ex-marido. Ela ficou apenas com a roupa do corpo e um chinelo.
Ao passar pelo Varal do Desempregado, pegou roupas e algumas vagas de emprego. Dias depois, entrou em contato contando que havia conseguido trabalho graças à oportunidade.
Para Kaká, esse retorno mostra que dignidade também se constrói com gestos simples, feitos no momento certo.
Dor que virou força para ajudar
A vontade de ajudar o próximo nasceu da própria história de Kaká. Ele enfrentou o desemprego, a perda de um filho recém-nascido e uma demissão logo após o luto.
A sequência de acontecimentos levou à depressão e, por um período, à vida nas ruas. Foram anos difíceis, marcados por dor e superação.
Depois de se reerguer, Kaká decidiu transformar a própria vivência em combustível para apoiar quem passa por dificuldades semelhantes. Hoje, cada ação carrega essa história de resistência e empatia.
Estendendo esperança
Entre as frases que Kaká guarda com carinho está a de uma pessoa ajudada pelo varal: “Não adianta lavar roupa suja, é preciso estender esperança”.
A frase resume o espírito das ações. Seja com roupas, vagas de emprego ou joias, a intenção é sempre a mesma: devolver dignidade e mostrar que ninguém está sozinho.
Pequenos gestos, quando feitos com verdade, seguem mudando vidas todos os dias.