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Especialistas criticam juros elevados no Brasil e defendem mudanças na política econômica

Professores de universidades federais questionam a pressão por cortes nos gastos públicos e apontam alternativas para reduzir os juros sem comprometer

Especialistas criticam juros elevados no Brasil e defendem mudanças na política econômica
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A manutenção das altas taxas de juros no Brasil e a pressão do mercado financeiro pela redução dos gastos públicos são alvo de críticas de especialistas em economia. O professor Fernando Henrique Rodrigues, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), afirma que a exigência de ajustes fiscais funciona como uma forma de pressionar o governo a manter os juros elevados, enquanto a professora Simone Deos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), defende mudanças na política monetária do país.

Segundo Rodrigues, o mercado financeiro condiciona a redução dos juros à realização de cortes nas despesas públicas, mesmo sabendo das dificuldades do governo em promover ajustes sem comprometer direitos sociais. Para o professor, essa pressão favorece instituições financeiras que obtêm parte significativa de seus rendimentos por meio da dívida pública.

O economista também argumenta que a inflação brasileira está relativamente controlada, o que, em sua avaliação, permitiria uma redução mais expressiva dos juros. Ele critica ainda a influência de grandes bancos e corretoras sobre as decisões do Banco Central.

Por outro lado, o Banco Central justifica a manutenção de juros elevados pela necessidade de controlar as pressões inflacionárias e os riscos associados ao desequilíbrio das contas públicas. Segundo a autoridade monetária, déficits fiscais podem contribuir para o aumento da inflação.

Especialistas apontam alternativas para reduzir os juros

A professora Simone Deos, da Unicamp, reconhece a importância de discutir a eficiência dos gastos públicos, mas ressalta que eventuais mudanças não devem comprometer programas e políticas sociais.

A pesquisadora defende uma atuação coordenada do Banco Central sobre os juros e o mercado de câmbio. Entre as alternativas apresentadas está a utilização das reservas internacionais brasileiras para reduzir a volatilidade cambial e ajudar no controle da inflação.

Na avaliação da especialista, uma redução dos juros, acompanhada de medidas cambiais planejadas, poderia contribuir para a estabilização da dívida pública.

Fernando Henrique Rodrigues também defende o fortalecimento dos investimentos públicos e das políticas sociais como estratégia para estimular a economia. Segundo ele, embora determinadas despesas possam representar um impacto inicial nas contas públicas, os investimentos podem gerar empregos, ampliar a renda e aumentar a arrecadação de impostos no longo prazo.

O debate evidencia diferentes interpretações sobre a condução da política econômica brasileira, especialmente em relação ao equilíbrio entre controle da inflação, responsabilidade fiscal, crescimento econômico e preservação dos direitos sociais.

FONTE/CRÉDITOS: Oeste Mais

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