O El Niño segue em rápida intensificação e pode atingir intensidade muito forte entre setembro e outubro, aumentando a atenção para possíveis impactos no clima de Santa Catarina durante os próximos meses. A nova atualização do Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), divulgada nesta quinta-feira, dia 13, aponta 93% de probabilidade de o fenômeno alcançar essa categoria.
A Defesa Civil de Santa Catarina acompanha a evolução das condições meteorológicas e mantém o monitoramento das projeções para o fim do inverno e o início da primavera, período em que os efeitos do fenômeno podem ser mais significativos.
Aquecimento do Pacífico aumenta intensidade do fenômeno
Uma das principais referências para o monitoramento do El Niño é a região do Niño 3.4, no Oceano Pacífico. Em julho, a temperatura das águas ficou 1,4 °C acima da média, indicando um fenômeno de intensidade moderada a forte.
Já no monitoramento semanal divulgado na segunda-feira, dia 10, a anomalia chegou a 1,8 °C. Para que o El Niño seja oficialmente classificado como forte, esse valor precisa permanecer acima de 1,5 °C durante o mês.
Com o rápido aquecimento observado, a Noaa estima 93% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e outubro. A possibilidade de permanência nessa categoria também é elevada, chegando a 95% entre outubro e dezembro.
A agência avalia ainda que existe 69% de probabilidade de o atual episódio ser o mais intenso registrado desde 1950.
O que pode acontecer em SC
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
Em Santa Catarina, episódios de El Niño estão historicamente associados ao aumento do volume de chuva, especialmente durante a primavera. O fenômeno também pode favorecer períodos de temperaturas acima da média.
A confirmação de um El Niño forte, porém, não significa que todo o estado terá chuva intensa ou que os impactos serão iguais em todas as regiões. A ocorrência de eventos extremos depende também da atuação de sistemas meteorológicos específicos.
Entre os possíveis impactos estão:
- • temporais;
- • chuvas intensas;
- • enxurradas;
- • alagamentos;
- • inundações;
- • deslizamentos;
- • períodos de temperaturas acima da média.
A Defesa Civil mantém o acompanhamento das condições atmosféricas e oceânicas e das projeções climáticas para os próximos meses, em conjunto com as instituições que integram o Fórum Climático Catarinense. O monitoramento permite identificar tendências, antecipar possíveis cenários de risco e auxiliar municípios e órgãos de proteção e defesa civil na tomada de decisões.
Orientações
A população deve acompanhar diariamente as previsões meteorológicas, boletins e avisos oficiais, principalmente durante períodos com previsão de chuva intensa, temporais, vento forte ou granizo.
Durante chuvas intensas e persistentes, a orientação é evitar áreas alagadas e nunca tentar atravessar ruas, pontes ou pontilhões cobertos pela água, seja a pé ou de carro. A força da correnteza pode arrastar pessoas e veículos.
Também é importante observar sinais de movimentação do solo, como rachaduras em paredes e terrenos, inclinação de árvores ou postes, muros estufados e surgimento de degraus ou valas no terreno. Ao identificar sinais de deslizamento ou outra situação de risco, a orientação é deixar o local e acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.
Durante temporais com raios, vento forte e granizo, procure abrigo em uma edificação segura. Mantenha distância de árvores, postes, placas, estruturas metálicas e outros objetos que possam cair ou ser deslocados pelo vento.
Também é recomendado evitar áreas abertas, praias, campos, estacionamentos e locais próximos a estruturas vulneráveis. Dentro de casa, permaneça afastado de janelas e portas de vidro e, quando possível e com segurança, desligue equipamentos eletrônicos da tomada.
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